De Cooperativa Central Nascida em Chapecó em 1969 à Terceira Maior Produtora de Proteína Animal do Brasil, a Aurora Hoje Reúne 14 Cooperativas, Mais de 150 Mil Famílias, 46 Mil Empregados Diretos, Exporta Carnes e Lácteos para Mais de 80 Países, Movimenta Bilhões na Economia em Todo o Campo Brasileiro.
Fundada em 15 de abril de 1969, em Chapecó, oeste de Santa Catarina, a Aurora nasceu como Cooperativa Central Oeste Catarinense e hoje disputa espaço entre as gigantes do setor, posicionando-se como referência próxima à maior produtora de proteína animal do Brasil, embora ocupe atualmente a terceira posição no ranking nacional. Em 2024, a cooperativa inaugurou a moderna unidade Aurora Coop Chapecó 2 e, no início de 2025, deu novos passos na expansão com aquisições e presença direta no exterior.
A história, no entanto, começou bem antes da marca ganhar espaço nas gôndolas. Em 1934, nascia em Barão de Cotegipe, no Rio Grande do Sul, Auri Luiz Bodanese, o líder que transformaria pequenas cooperativas espalhadas pelo interior de Santa Catarina em um sistema robusto, integrado e capaz de alimentar milhões de pessoas no Brasil e em mais de 80 países.
As Origens no Cooperativismo e a Visão de Auri Bodanese

A trajetória da Aurora está diretamente ligada à vida de Auri Bodanese (Aury Luiz Bodanese). Ainda criança, ele trabalhava como vendedor de frutas e entregador de jornais.
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Na adolescência, aos 15 anos, já dirigia caminhões pelas estradas da região e, aos 20, cumpriu serviço militar em Uruguaiana, experiência que ajudou a moldar sua disciplina e estilo de liderança.
Em 1967, Auri assumiu a presidência da Cooperativa Mista Agropastoril de Chapecó, em um cenário de forte resistência ao cooperativismo.
Muitos agricultores não entendiam por que deveriam entregar a produção a uma cooperativa. Auri partiu então para a base.
Ele visitou propriedade por propriedade, explicando o modelo, reforçando a importância da união e, principalmente, garantindo que os pagamentos fossem feitos nas datas combinadas. Essa combinação de presença no campo e seriedade financeira foi decisiva para construir confiança.
Anos depois, esse movimento resultaria na fusão de cooperativas da região e na criação da Coperalfa, uma das mais importantes cooperativas do oeste catarinense. O passo seguinte seria ainda mais ousado.
A Criação da Cooperativa Central em 1969 e o Nascimento da Marca Aurora

Em 15 de abril de 1969, Auri Bodanese e outros 17 representantes de oito cooperativas singulares do oeste catarinense oficializaram a criação da Cooperativa Central Oeste Catarinense, com sede em Chapecó. O objetivo era claro: organizar a suinocultura regional, padronizar processos, oferecer assistência técnica e ganhar escala para disputar mercado com grandes empresas privadas.
Logo em 1970, a nova central comprou 22 caminhões, garantindo o escoamento da produção, e adotou o slogan “Cereais de Santa Catarina para alimentar o Brasil”, já sinalizando que a ambição ia além das fronteiras regionais.
Em 1973, a cooperativa deu um salto ao adquirir de um frigorífico local, o Marafon, as primeiras fábricas de rações e de carnes, incluindo os direitos de uso da marca Aurora.
A partir daí, o abate de suínos passou a ser feito diretamente pela cooperativa, com cerca de 200 animais por dia, e os produtores passaram a contar com ração balanceada, integrando de vez campo e indústria.
Desde o início, o modelo da futura Aurora Coop se diferenciou. Não havia acionistas tradicionais. As donas da central eram as próprias cooperativas filiadas e, por consequência, os produtores rurais tornaram-se os verdadeiros donos do negócio, ainda que de forma indireta.
Em 1974, Auri articulou a criação da Coperalfa, fortalecendo a base do sistema, e ao longo dos anos 70 e 80 a marca Aurora começou a atualizar seu logotipo e a cuidar da identidade no mercado.
Expansão Industrial, Novas Plantas e Diversificação de Produtos
No início dos anos 80, a cooperativa central comprou o frigorífico Peperi, passando a operar também em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina.
A distribuição dos produtos Aurora se expandiu para o eixo Rio São Paulo, os dois maiores mercados consumidores do país. Em 1984, veio a diversificação para sucos concentrados sob a marca Delis, ampliando a atuação além das carnes.

Em 1986, a identidade visual da marca foi atualizada e a cooperativa inaugurou o abatedouro de aves em Maravilha, marcando a entrada no segmento de frango.
Pouco depois, em 1987, Auri Bodanese recebeu o título de cidadão catarinense, reconhecimento pelo papel econômico e social na região.
Os anos 90 consolidaram a transformação da Aurora em potência industrial. Em 1992, foi inaugurado, em Chapecó, o maior frigorífico de suínos da América Latina.
Em 1996, a cooperativa avançou para além do Sul com uma unidade de suínos em São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul, aproximando-se das regiões produtoras de grãos, fundamentais para a alimentação animal. Em 1997, inaugurou a unidade de abate de aves em Quilombo, reforçando a divisão avícola.
Na virada dos anos 90, a marca intensificou a diversificação. Surgiram os empanados Aurogetes, hambúrgueres sob a submarca Fareste, uma linha de pratos prontos e a ampliação forte em presuntaria, mortadelas, linguiças e cortes suínos e de frango.
As exportações, iniciadas em 1993, superaram 8 mil toneladas no fim da década, enquanto a cooperativa completava 30 anos e alcançava a posição de segunda maior cooperativa nacional.
Anos 2000 com Crise Global, Investimento Contínuo e Salto de Faturamento
No início dos anos 2000, a Aurora reforçou sua presença em alimentos e bebidas. Em 2000, inaugurou uma nova indústria de sucos em Pinhalzinho, oeste de Santa Catarina, com investimento superior a 8 milhões de reais, modernizando o segmento de sucos Delis.
Em 2001, abriu uma unidade industrial em Chapecó para industrializar 100 por cento dos suínos abatidos pela cooperativa. Em 2002, inaugurou outro frigorífico de suínos em Joaçaba e incorporou o frigorífico da Coperjacuí, em Sarandi, no Rio Grande do Sul.
Em 2003, Auri Bodanese faleceu aos 69 anos, após 22 anos à frente da cooperativa, deixando estruturado um sistema que já reunia milhares de produtores em torno do cooperativismo.
Em 2004, a marca Aurora entrou de vez nos segmentos de lácteos e pizzas, com o lançamento da marca Aurolat. No ano seguinte, vieram produtos como o kit churrasco fácil, aves natalinas especiais e o tender suíno, além dos tradicionais kits Boas Festas, que consolidaram a marca na mesa de fim de ano dos brasileiros.
Em 2007, Mario Lanznaster assumiu a presidência, com uma gestão focada em investimento industrial e fortalecimento da pecuária.
Nesse período, a Aurora passou a arrendar unidades frigoríficas da Cotrel, em Erechim, para aves e suínos, incorporadas de forma definitiva anos depois. A cooperativa também adquiriu as marcas Nobre, Capone e Nobreza e iniciou o patrocínio à Chapecoense, aproximando ainda mais a marca da região.
A partir de 2008, a Aurora adotou o Programa Nacional de Abate Humanitário, iniciando uma série de melhorias em bem-estar animal. No mesmo ano, veio a crise financeira global que encareceu o crédito, valorizou o dólar e levou a cooperativa a dois anos de resultados negativos.
Ainda assim, os investimentos não pararam. Em 2009, no ano em que completou 40 anos, inaugurou uma moderna fábrica de rações em Cunhaporã, uma das maiores do Brasil, e a partir de 2010 voltou a registrar resultados positivos, retomando o ciclo de expansão.
Em 2014, quando comemorou 45 anos, a cooperativa alcançou receita bruta de cerca de 6,7 bilhões de reais, sendo 80 por cento no mercado interno e 20 por cento nas exportações. Em 2015, a Cocari passou a integrar o sistema na produção de aves, com a Aurora cuidando do abate e da comercialização.
Tragédia da Chapecoense, Greve dos Caminhoneiros e Entrada em Pescados
Em 2016, a parceria com a Chapecoense foi marcada pela tragédia do acidente aéreo na Colômbia, quando a equipe viajava para disputar a final da Copa Sul Americana.
A Aurora, como principal patrocinadora, manifestou pesar e solidariedade às vítimas e à comunidade de Chapecó, reforçando seu vínculo com a região.
Em 2018, a cooperativa enfrentou novamente dificuldades operacionais durante a greve dos caminhoneiros, que paralisou o transporte de insumos e produtos acabados.
A Aurora precisou paralisar temporariamente atividades, retomando a produção gradualmente à medida que a logística foi normalizada. No mesmo ano, ampliou seu portfólio ao entrar no segmento de pescados, em parceria com a CVAL, lançando o filé de tilápia da marca Aurora.
Em 2019, ano em que completou 50 anos, o sistema Aurora era formado por 11 cooperativas singulares, com cerca de 65 mil produtores cooperados, mais de 30 mil empregados diretos e aproximadamente 10 mil colaboradores ligados às filiadas, impactando diretamente mais de 100 mil famílias.
O faturamento chegou a aproximadamente 10,9 bilhões de reais, com crescimento de 20 por cento em relação a 2018, impulsionado pelas exportações.
Ainda nesse período, o frigorífico Aurora Chapecó 1, em operação desde 1992, passou por uma grande ampliação iniciada em 2018 e concluída em 2019, com investimento de 268 milhões de reais e aumento da capacidade de abate de 5 mil para 10 mil suínos por dia.
Nova Geração de Liderança, Pandemia e Reposicionamento como Aurora Coop
Em 2020, faleceu Mario Lanznaster aos 80 anos, e a presidência passou a Neyor Canton, mantendo o foco em expansão e governança cooperativista.
No auge da pandemia, a Aurora foi citada em notícias locais na China por supostos traços de coronavírus em embalagens de frango exportadas.
A cooperativa respondeu com transparência, destacou que se tratava de informação de imprensa, sem confirmação oficial, e aceitou realizar testes em cerca de 11 mil trabalhadores, além de novas análises em produtos, todas com resultado negativo. Com isso, conseguiu manter as rotas de exportação para a China e outros 60 países.
Em 2021, a cooperativa adquiriu a estrutura de produção de aves do grupo Agrodanielle, em Tapejara, no Rio Grande do Sul, anunciando investimentos superiores a 200 milhões de reais para ampliar e modernizar o frigorífico.
No mesmo ano, fortaleceu a presença de marca ao patrocinar o reality A Fazenda, na TV Record, parceria renovada nas edições seguintes.
Também em 2021, a organização passou a adotar o nome Aurora Coop, reforçando a identidade de sistema cooperativo, e não de empresa tradicional. A nova fase veio acompanhada do slogan “A gente faz com gosto tudo que você gosta” e de campanhas com o ex tenista Gustavo Kuerten, conectando a marca a valores de dedicação, trajetória e superação.
De Terceira Maior do País a Player Global em Proteína Animal
Em outubro de 2023, a Aurora assumiu a operação da planta de suínos da Union, em Castro, no Paraná, trazendo para o sistema as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal e incorporando a marca Alegra.
Esse movimento ampliou ainda mais a base cooperativista e a presença da empresa em regiões estratégicas.
Em abril de 2024, foi inaugurada a indústria Aurora Coop Chapecó 2, uma das mais modernas plantas de processamento de carnes do Brasil, com investimentos de quase 600 milhões de reais entre recursos próprios e financiamentos do BNDES.
A unidade tem alto grau de automação em todas as etapas, chegando à robotização das fases finais das linhas de produção, e reforça a ambição de disputar espaço com a maior produtora de proteína animal do Brasil em qualidade, escala e eficiência.
No segmento de suínos, em 2024 a Aurora operava oito plantas industriais, com capacidade instalada para abater pouco mais de 32 mil animais por dia e total anual superior a 8 milhões de suínos.
Na avicultura, eram nove unidades industriais, com capacidade diária próxima de 1,5 milhão de frangos e processamento de 343 milhões de aves ao longo do ano.
Na bovinocultura leiteira, as cooperativas do sistema captaram 449 milhões de litros de leite, transformados em bebida láctea, leite UHT, leite em pó, creme de leite, queijos e outros derivados.
No início de 2025, ao divulgar os resultados de 2024, a cooperativa registrou crescimento consistente da receita operacional bruta, a criação de mais de 2,5 mil novos empregos e um quadro final de mais de 46 mil empregados diretos.
Os desembolsos com pessoal somaram 3,3 bilhões de reais, somando salários, encargos e benefícios. No comércio exterior, a Aurora respondeu por 21,6 por cento das exportações brasileiras de carne suína e por 8,4 por cento das exportações de carne de frango em 2024, consolidando-se como uma verdadeira potência global do setor de carnes.
Bem-Estar Animal e Pressão da Sociedade
O crescimento também trouxe novas pressões. Em 2024, a ONG internacional Sinergia Animal lançou uma campanha com outdoors em diversas cidades, criticando práticas ligadas ao bem estar de suínos, como o uso de gaiolas de gestação.
A cooperativa reagiu anunciando política de bem estar animal com tolerância zero a maus tratos e reforçando o compromisso com padrões mais rigorosos de manejo, transporte e abate.
Esse embate ocorre em um contexto em que consumidores do Brasil e do exterior querem saber não só de onde vem a carne, mas como os animais são criados, tratados e transportados até o frigorífico.
Para uma companhia que busca estar perto da maior produtora de proteína animal do Brasil em competitividade global, responder a essas demandas é questão de reputação e de acesso a mercados.
Aquisições Recentes e Presença Internacional Direta
Em 2025, já consolidada como terceira maior produtora de proteína animal do Brasil, a Aurora deu dois passos estratégicos importantes.
O primeiro foi a aquisição da Grã Mestre, ampliando sua atuação em queijos especiais e reforçando o portfólio de lácteos premium.
O segundo foi a inauguração da primeira unidade comercial fora do Brasil, em Xangai, na China, maior destino das exportações da cooperativa, responsável por cerca de 20 por cento do volume embarcado.
Além da China, a Aurora exporta carne de frango para países do Oriente Médio, Japão e a própria China, e carne suína para Estados Unidos, México, Canadá, Japão, Filipinas, Vietnã, África do Sul, Chile e Argentina, entre outros mercados.
Essa presença internacional reforça o papel da cooperativa como fornecedora global de proteína animal, com produtos que levam a marca do cooperativismo catarinense a mais de 80 países.
Estrutura Atual, Impacto Social e o Sistema Aurora Coop
Hoje, a sede da Aurora Coop continua em Chapecó. O sistema reúne 14 cooperativas filiadas e mais de 150 mil famílias entre cooperados e colaboradores.
A estrutura operacional inclui oito unidades de suínos, nove de aves, duas unidades de processamento de carnes, uma de lácteos, 10 fábricas de rações e unidades armazenadoras, nove incubatórios e granjas, 33 unidades comerciais, quatro centros de distribuição, oito distribuidores e quatro unidades corporativas.
O portfólio é diversificado e engloba as marcas Aurora, Aurora Premium, Aurora Bem Leve, Nobre, Peperi, Alegra e Grã Mestre, com um mix que inclui linguiças, frios, cortes suínos e de frango, refeições prontas e semiprontas, salsichas, lácteos, pães de alho e de queijo, vegetais, pescados e a tradicional linha Boas Festas, referência no Natal brasileiro.
Mais do que números, a história mostra que grandes estruturas podem nascer de decisões coletivas no campo.
A união de pequenos produtores em torno do cooperativismo transformou uma iniciativa regional na terceira maior produtora de proteína animal do Brasil, com ambição de disputar espaço com a maior produtora de proteína animal do Brasil nos próximos anos.
¿Y tú, imaginabas que una red de cooperativas del interior de Santa Catarina podría llegar a ese nivel de protagonismo en la proteína animal brasileña y mundial?


Faltou falar sobre a incorporação do extinto frigorifico Chapecó, em Chapecó. Mas ficou muito boa a reportagem sobre essa maravilhosa cooperativa, cuja minha família faz parte!
SÃO GABRIEL DO OESTE MS, Feliz com a presença da AURORA, a cidade sw desenvolveu muito.
Obrigado AURORA e PARABÉNS.
SÃO GABRIEL DO OESTE MS, Feliz com a presença da AURORA a cidade se desenvolveu muito.
Obrigado AURORA.